quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Li, gostei e recomendo #50 >>> O Livro sobre Liderança

Trata-se de um autor famoso no meio cristão reformado. John MacArthur tem tido um ministério frutífero como líder e, dessa maneira, está “autorizado” a escrever sobre os atributos desejáveis para o exercício de liderança na igreja ou em outros locais, como na própria família, nas atividades profissionais ou ainda políticas. O Livro sobre Liderança, editado no Brasil pela Cultura Cristã em 2009, nos traz grandes ensinos tendo por base o apóstolo Paulo como líder incomparável que foi junto à igreja primitiva, cujo ensino e exemplo ressoam até hoje na cristandade. O autor trabalha 26 características desejáveis para um verdadeiro líder exercer com dignidade e louvor o seu papel. Essas características são pinçadas cuidadosamente na vida e testemunho de Paulo (narrados por Lucas no Livro de Atos), assim como nas cartas do próprio Paulo no Novo Testamento, destacando-se as cartas aos Coríntios e a Timóteo. 

O livro confronta os líderes a se mirarem no exemplo Paulino, assim como do próprio Senhor Jesus, para exercerem principalmente ministérios de liderança na igreja. A leitura do livro é também muito útil na ajuda dos membros de igreja quando precisam definir suas escolhas para líderes em suas comunidades cristãs, ou mesmo no âmbito de instituições seculares. Uma vez que líderes são pessoas muito importantes para a saúde de nossas igrejas e sociedade, recomendo efusivamente, portanto, sua leitura. Muito fui edificado por essa leitura e o mesmo lhe desejo caro leitor.

Reproduzo aqui pequeno trecho quando o autor fala sobre a característica da humildade: “Embora Paulo estivesse supremamente confiante do seu chamado e bastante seguro do próprio dom, ele também se lembrou de onde esses dons haviam procedido e sabia que eles não eram de dentro dele. A fonte da sua suficiência era Deus. Paulo nem por um momento imaginou que era adequado para o ofício apostólico em e de si mesmo. Pelo contrário, ele sabia que sozinho era inadequado.”

sábado, 13 de outubro de 2018

Li, gostei e recomendo (com ressalvas) #049 >> Cristianismo e Política


Já faz algum tempo que li “Cristianismo e Política”, de Robinson Cavalcanti, da Editora Ultimato. Embora o posicionamento do autor tendesse um pouco para a esquerda, tendo vivido em outro momento da política nacional, seu livro apresenta informação e ideias que podem nos ajudar em nossa reflexão sobre uma cosmovisão cristã acerca de nossa responsabilidade como cristãos e como cidadãos. Afinal como ele diz em seu livro: “O apolítico não tem como deixar de ser político, só que o é pessimamente”. 

O livro nos traz reflexões sobre a história e a relação entre governos e religiões. Por exemplo, muito embora não houvesse intenção política na ação dos reformadores, observa-se que grande parte da expansão do protestantismo deveu-se à uma situação política favorável em alguns países preparada pela providência divina. Dessa maneira, em última instância o Senhor Deus pode ser “lembrado” em nossas orações para termos governantes que sejam benignos para com os seguidores da fé cristã que confessamos. 

O livro trata também, dentre outros temas, da necessidade de uma ação política por parte dos cristãos. Destaca que cabe à Igreja um ministério de intercessão pelo país, pelos que estão no poder e pelos problemas que afligem o povo. Ao lado da proclamação e ensino do Evangelho, e encarnando a consciência moral da nação, a Igreja deve posicionar-se diante de ideias e ações que contrariem a vontade de Deus. Cristãos, sejam líderes ou liderados devem exercer uma cidadania responsável, informando-se sobre os caminhos políticos em pauta na vida contemporânea e agirem em prol de políticas públicas democráticas que atendam às necessidades dos mais pobres, à garantia da paz social e ao equilíbrio nas atividades econômicas. 

Obviamente, a Igreja deve evitar opções partidárias, e promover a manutenção de uma atmosfera fraternal e de mútuo respeito entre os irmãos de pensamento divergente. Por outro lado, existe a necessidade de termos uma posição cristã acerca dos valores espirituais na vida pública, e atentarmos para a batalha entre o Reino de Deus e o reino da perdição. Dessa maneira, toda e qualquer mobilização deve começar de joelhos. Que sejamos cristãos melhores em nossa prática cidadã em nosso Brasil, nesses dias tão difíceis!

sábado, 23 de setembro de 2017

Li, gostei e recomendo #048 >>> A Arte e a Bíblia (Francis A. Schaeffer)

Nesse momento que se discute a depravação de costumes retratada em obras de arte expostas até mesmo para o público infantil, convém que os cristãos genuínos reflitam sobre a arte e seu poder em difundir cosmovisões, que acabam por influenciar toda uma sociedade, hoje tão deficiente de líderes que apontem com equilíbrio e amor para a verdadeira fonte de sabedoria, beleza e bondade: o nosso Senhor Jesus Cristo.  Nesse contexto, coloco aqui para apreciação os ensinos de Francis Schaeffer em seu livro A Arte e a Bíblia.

O livro foi lançado em 1973 e revisado em 2006, mas só publicado em português em 2010 pela Editora Ultimato. Schaeffer procura demonstrar que criamos a partir de uma determinada cosmovisão e que é nossa responsabilidade alinhar este ponto de vista com as Escrituras, de maneira que o senhorio de Cristo esteja presente em cada aspecto da vida criativa dos artistas cristãos. O autor sustenta que o cristão deve usar a arte para glorificar a Deus, não simplesmente como propaganda evangelística, mas como algo belo para a glória de Deus. Ao contrário do que alguns pensam, a Bíblia condena a "adoração" à arte, mas não a "produção" da arte. Tal fato Francis Schaeffer expõe na primeira parte do livro, por meio de várias passagens nas Escrituras.

Numa segunda parte, o autor apresenta algumas perspectivas sobre a arte: (1) Uma obra de arte tem valor em si mesma; (2) As formas de arte fortalecem a cosmovisão, não importa qual seja a cosmovisão nem se ela é verdadeira ou falsa; (3) Em todas as formas de escrita, seja poesia ou prosa, o fato de haver uma continuidade ou descontinuidade em relação às definições padrões das palavras na sintaxe padrão faz bastante diferença; (4) O fato de algo ser uma obra de arte não o torna sagrado; (5) Existem quatro padrões básicos para uma obra de arte: excelência, validade, conteúdo intelectual (a cosmovisão comunicada) e integração entre a excelência técnica e o veículo; (6) As formas de arte podem ser utilizadas para todo tipo de mensagem, da pura fantasia à história detalhada; (7) Os estilos artísticos mudam e nada há de errado nisso; (8) Não existe um bom estilo e um mau estilo; (9) A cosmovisão cristã pode ser dividida em um tema maior ou um tema menor; (10) A arte cristã não é, de forma alguma, sempre religiosa, isto é, uma arte que lida com temas religiosos; (11) Todo artista enfrenta dificuldade de fazer uma obra de arte individual bem como de desenvolver seu conjunto de obras.

Termino esse relato com as últimas frases de Francis Schaeffer nesse seu livro: "Nenhuma obra de arte é mais importante que a própria vida do cristão e todo cristão deve se preocupar em ser um artista nesse sentido. Ele pode não ter o dom da escrita, nem da composição ou do canto, mas toda pessoa tem o dom da criatividade no que diz respeito à forma como vive sua vida. Nesse sentido, a vida do cristão deve ser uma obra de arte. A vida do cristão deve ser algo verdadeiro e belo em meio a um mundo perdido e desesperado."

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Li, gostei e recomendo #047 >>> A Missão Cristã no Mundo Moderno, John Stott

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Livro publicado no original em inglês no ano de 1975, e finalmente editado em português pela Editora Ultimato 35 anos mais tarde, traz um tema atual. Muito se tem falado na terra brasilis sobre a Missão Integral, a qual por vezes usa citações de Stott para justificar suas idéias de um evangelho que prioriza as ações sociais. Infelizmente percebe-se que a visão do Stott tem sido distorcida. É bem verdade que John Stott ressalta a importância do papel social da cristandade e participou ativamente de eventos que tratam do tema. No entanto, o sábio escritor, teólogo e evangelista, sempre apresentou ponderações acertadas sobre a necessidade de que as missões cristãs priorizem o evangelho da salvação que aponta para as coisas eternas. Eis um trecho de seu livro aqui apresentado e recomendado com entusiasmo:

"Alguns consideram a ação social um meio de evangelismo. Neste caso, evangelismo e conversão são os objetivos principais, mas a ação social é um meio preliminar útil e efetivo para alcançar estes objetivos. Em sua forma mais ostensiva, isto faz do trabalho social o açúcar no comprimido, a isca no anzol, ao mesmo tempo em que, em sua melhor forma, dá ao evangelho uma credibilidade que, de outra maneira, ele não teria. Em qualquer dos casos o cheiro de hipocrisia permeia nossa filantropia...

A segunda maneira de relacionar evangelismo e ação social diz respeito à ação social não como um meio para o evangelismo, mas como uma manifestação do evangelismo, ou, pelo menos, do evangelho que está sendo proclamado. Neste caso, a filantropia não está anexa ao evangelismo de modo artificial, mas cresce a partir dele como sua expressão natural...

O terceiro modo de explicar a relação entre evangelismo e ação social, que creio ser a forma verdadeiramente cristã, é ver a ação social como parceira do evangelismo. Como parceiro, os dois se completam, mas cada um se sustenta por si e possui sua própria autonomia...

Haverá momentos em que o destino eterno da pessoa é a consideração mais urgente. Porém, outras vezes a necessidade material da pessoa será tão premente que ela não será capaz de ouvir o evangelho. Se o nosso inimigo estiver faminto, nosso mandato bíblico não é evangelizá-lo, mas alimentá-lo (Rm 12:20).

E existe ainda a diversidade de chamados cristãos, e todo cristão deve ser fiel ao seu próprio chamado. O médico não deve negligenciar a prática da medicina para evangelizar, nem o evangelista deve se distrair do ministério da palavra para ministrar às mesas (At 6)."

sábado, 15 de abril de 2017

Li, gostei e recomendo #046 >>> Righteous Sinners: the believer`s struggle with faith, grace and works

Righteous Sinners: the believer`s struggle with faith, grace and works
(Pecadores Justos: a luta do crente com a fé, a graça e as obras)

Autor: Ron Julian, professor na McKenzie Study Center, Oregon, USA
Editora: NavPress                                     Primeira edição: 1998

Esse é um livro que esclarece para o cristão sobre a sua dificuldade em seguir a santificação. Aqui o autor trata do dilema: Se tentamos defender a necessidade de requisitos para salvação, podemos erroneamente ignorar a graça; porém, se enfatizarmos a graça, podemos erroneamente ignorar os reais requisitos para a salvação. A linguagem do livro é clara e direta, e tem em seu bojo uma teologia de base bíblica reformada muito bem exposta e equilibrada, contextualizando o tema em relação à vida moderna. Recomendo com entusiasmo. Li a versão original em inglês, e me parece que ainda não temos o livro em português. Uma pena. Alô Editores!!!

domingo, 17 de julho de 2016

Li, gostei e recomendo #045 >>> Delci Esteves dos Santos: Deus sabe o que faz

Nem só de conhecimento doutrinário se vive o Evangelho. A prática do amor ao próximo é vital para uma caminhada cristã sadia. Muitos missionários são bons exemplos de tal aplicação da doutrina, despontando entre nós com uma fé prática, que nos confronta com nosso individualismo. Bem, tempos atrás fui presenteado com um livrinho que nos remete ao trabalho missionário da irmã Delci. Destaca-se nesse livro o trabalho executado por essa missionária e outros irmãos na Casa das Formigas, uma ONG que desenvolve um programa de assistência escolar, alimentar e de saúde na cidade de Maputo, Moçambique. Conheço um pouco aquele país por conta de duas viagens que realizei a trabalho (secular) e, dessa maneira, a ação social desenvolvida por essa missão heroica e abençoadora muito me toca. A necessidade material básica e espiritual naquele país africano é enorme.


Segue abaixo o último trecho do referido livro, a saber: Deus sabe o que faz, de Delci Esteves dos Santos, Editora Vale da Benção, 2014.

"Ao relatar todos esses fatos da minha vida, meu coração derrete diante do Senhor e exclama: Posso todas as coisas naquele que me fortalece! (Filipenses 4:13). Paulo descobriu essa verdade com profundidade e a repassou à igreja de Filipos. Recebi essa verdade por meio da Bíblia e, hoje, realmente entendo esse versículo em profundidade, pois aprendi a amar as crianças moçambicanas mais do que à minha própria vida! Assim, este verdadeiramente não é o último capítulo, pois, pela graça de Deus, ainda há muito para ser escrito! Louvado seja Ele!"

P.S.: Caso se interesse por saber mais e ajudar, segue página no Facebook: 
https://www.facebook.com/Casa-das-Formigas-202566866552844/

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Li, gostei e recomendo #044 >>> JOÃO CALVINO: Amor à devoção, doutrina e glória de Deus


Trata-se de um livro para que se conheça o homem João Calvino, que está por trás do mito. Esse livro, publicado pela Editora Fiel em 2010, foi editado por Burk Parksons e possui 18 colaboradores de alto nível, que exemplificam como Calvino era humilde, atencioso, piedoso, cheio das Escrituras e possuidor de um desejo grande por exaltar a glória de Deus. Esse é o Calvino que na abertura de cada uma das edições das Institutas destacava que “a sabedoria verdadeira e correta consiste de duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos.”

Deixo aqui um dos inúmeros trechos preciosos desse livro:


“Calvino não deixou espaço para uma posição intermediária. Ou seguimos fervorosamente o exemplo de Cristo, ou O negamos por meio de nossa conduta e estilo de vida. Esse padrão difere bastante da atitude de muitos cristãos contemporâneos, que são casuais ou indiferentes em buscar a semelhança com Cristo. Mas, pela maneira de escrever de Calvino, é evidente que ele considerava a busca zelosa da santidade como a vida cristã normal... Ao mesmo tempo, Calvino advertiu contra o estabelecermos um padrão elevado para os outros crentes. Ele escreveu: “Não devemos insistir na absoluta perfeição do evangelho em nossos irmãos, por mais que nós mesmos nos esforcemos por essa perfeição.” Usando uma expressão contemporânea, devemos ser severos em relação a nós mesmos e amáveis para com os outros. Infelizmente, o oposto é o que se evidencia com frequência. Esperamos muito dos outros, enquanto desculpamos a nós mesmos.”