Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Li, gostei e recomendo #50 >>> O Livro sobre Liderança

Trata-se de um autor famoso no meio cristão reformado. John MacArthur tem tido um ministério frutífero como líder e, dessa maneira, está “autorizado” a escrever sobre os atributos desejáveis para o exercício de liderança na igreja ou em outros locais, como na própria família, nas atividades profissionais ou ainda políticas. O Livro sobre Liderança, editado no Brasil pela Cultura Cristã em 2009, nos traz grandes ensinos tendo por base o apóstolo Paulo como líder incomparável que foi junto à igreja primitiva, cujo ensino e exemplo ressoam até hoje na cristandade. O autor trabalha 26 características desejáveis para um verdadeiro líder exercer com dignidade e louvor o seu papel. Essas características são pinçadas cuidadosamente na vida e testemunho de Paulo (narrados por Lucas no Livro de Atos), assim como nas cartas do próprio Paulo no Novo Testamento, destacando-se as cartas aos Coríntios e a Timóteo. 

O livro confronta os líderes a se mirarem no exemplo Paulino, assim como do próprio Senhor Jesus, para exercerem principalmente ministérios de liderança na igreja. A leitura do livro é também muito útil na ajuda dos membros de igreja quando precisam definir suas escolhas para líderes em suas comunidades cristãs, ou mesmo no âmbito de instituições seculares. Uma vez que líderes são pessoas muito importantes para a saúde de nossas igrejas e sociedade, recomendo efusivamente, portanto, sua leitura. Muito fui edificado por essa leitura e o mesmo lhe desejo caro leitor.

Reproduzo aqui pequeno trecho quando o autor fala sobre a característica da humildade: “Embora Paulo estivesse supremamente confiante do seu chamado e bastante seguro do próprio dom, ele também se lembrou de onde esses dons haviam procedido e sabia que eles não eram de dentro dele. A fonte da sua suficiência era Deus. Paulo nem por um momento imaginou que era adequado para o ofício apostólico em e de si mesmo. Pelo contrário, ele sabia que sozinho era inadequado.”

sábado, 23 de setembro de 2017

Li, gostei e recomendo #048 >>> A Arte e a Bíblia (Francis A. Schaeffer)

Nesse momento que se discute a depravação de costumes retratada em obras de arte expostas até mesmo para o público infantil, convém que os cristãos genuínos reflitam sobre a arte e seu poder em difundir cosmovisões, que acabam por influenciar toda uma sociedade, hoje tão deficiente de líderes que apontem com equilíbrio e amor para a verdadeira fonte de sabedoria, beleza e bondade: o nosso Senhor Jesus Cristo.  Nesse contexto, coloco aqui para apreciação os ensinos de Francis Schaeffer em seu livro A Arte e a Bíblia.

O livro foi lançado em 1973 e revisado em 2006, mas só publicado em português em 2010 pela Editora Ultimato. Schaeffer procura demonstrar que criamos a partir de uma determinada cosmovisão e que é nossa responsabilidade alinhar este ponto de vista com as Escrituras, de maneira que o senhorio de Cristo esteja presente em cada aspecto da vida criativa dos artistas cristãos. O autor sustenta que o cristão deve usar a arte para glorificar a Deus, não simplesmente como propaganda evangelística, mas como algo belo para a glória de Deus. Ao contrário do que alguns pensam, a Bíblia condena a "adoração" à arte, mas não a "produção" da arte. Tal fato Francis Schaeffer expõe na primeira parte do livro, por meio de várias passagens nas Escrituras.

Numa segunda parte, o autor apresenta algumas perspectivas sobre a arte: (1) Uma obra de arte tem valor em si mesma; (2) As formas de arte fortalecem a cosmovisão, não importa qual seja a cosmovisão nem se ela é verdadeira ou falsa; (3) Em todas as formas de escrita, seja poesia ou prosa, o fato de haver uma continuidade ou descontinuidade em relação às definições padrões das palavras na sintaxe padrão faz bastante diferença; (4) O fato de algo ser uma obra de arte não o torna sagrado; (5) Existem quatro padrões básicos para uma obra de arte: excelência, validade, conteúdo intelectual (a cosmovisão comunicada) e integração entre a excelência técnica e o veículo; (6) As formas de arte podem ser utilizadas para todo tipo de mensagem, da pura fantasia à história detalhada; (7) Os estilos artísticos mudam e nada há de errado nisso; (8) Não existe um bom estilo e um mau estilo; (9) A cosmovisão cristã pode ser dividida em um tema maior ou um tema menor; (10) A arte cristã não é, de forma alguma, sempre religiosa, isto é, uma arte que lida com temas religiosos; (11) Todo artista enfrenta dificuldade de fazer uma obra de arte individual bem como de desenvolver seu conjunto de obras.

Termino esse relato com as últimas frases de Francis Schaeffer nesse seu livro: "Nenhuma obra de arte é mais importante que a própria vida do cristão e todo cristão deve se preocupar em ser um artista nesse sentido. Ele pode não ter o dom da escrita, nem da composição ou do canto, mas toda pessoa tem o dom da criatividade no que diz respeito à forma como vive sua vida. Nesse sentido, a vida do cristão deve ser uma obra de arte. A vida do cristão deve ser algo verdadeiro e belo em meio a um mundo perdido e desesperado."

domingo, 17 de julho de 2016

Li, gostei e recomendo #045 >>> Delci Esteves dos Santos: Deus sabe o que faz

Nem só de conhecimento doutrinário se vive o Evangelho. A prática do amor ao próximo é vital para uma caminhada cristã sadia. Muitos missionários são bons exemplos de tal aplicação da doutrina, despontando entre nós com uma fé prática, que nos confronta com nosso individualismo. Bem, tempos atrás fui presenteado com um livrinho que nos remete ao trabalho missionário da irmã Delci. Destaca-se nesse livro o trabalho executado por essa missionária e outros irmãos na Casa das Formigas, uma ONG que desenvolve um programa de assistência escolar, alimentar e de saúde na cidade de Maputo, Moçambique. Conheço um pouco aquele país por conta de duas viagens que realizei a trabalho (secular) e, dessa maneira, a ação social desenvolvida por essa missão heroica e abençoadora muito me toca. A necessidade material básica e espiritual naquele país africano é enorme.


Segue abaixo o último trecho do referido livro, a saber: Deus sabe o que faz, de Delci Esteves dos Santos, Editora Vale da Benção, 2014.

"Ao relatar todos esses fatos da minha vida, meu coração derrete diante do Senhor e exclama: Posso todas as coisas naquele que me fortalece! (Filipenses 4:13). Paulo descobriu essa verdade com profundidade e a repassou à igreja de Filipos. Recebi essa verdade por meio da Bíblia e, hoje, realmente entendo esse versículo em profundidade, pois aprendi a amar as crianças moçambicanas mais do que à minha própria vida! Assim, este verdadeiramente não é o último capítulo, pois, pela graça de Deus, ainda há muito para ser escrito! Louvado seja Ele!"

P.S.: Caso se interesse por saber mais e ajudar, segue página no Facebook: 
https://www.facebook.com/Casa-das-Formigas-202566866552844/

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Li, gostei e recomendo #044 >>> JOÃO CALVINO: Amor à devoção, doutrina e glória de Deus


Trata-se de um livro para que se conheça o homem João Calvino, que está por trás do mito. Esse livro, publicado pela Editora Fiel em 2010, foi editado por Burk Parksons e possui 18 colaboradores de alto nível, que exemplificam como Calvino era humilde, atencioso, piedoso, cheio das Escrituras e possuidor de um desejo grande por exaltar a glória de Deus. Esse é o Calvino que na abertura de cada uma das edições das Institutas destacava que “a sabedoria verdadeira e correta consiste de duas partes: o conhecimento de Deus e de nós mesmos.”

Deixo aqui um dos inúmeros trechos preciosos desse livro:


“Calvino não deixou espaço para uma posição intermediária. Ou seguimos fervorosamente o exemplo de Cristo, ou O negamos por meio de nossa conduta e estilo de vida. Esse padrão difere bastante da atitude de muitos cristãos contemporâneos, que são casuais ou indiferentes em buscar a semelhança com Cristo. Mas, pela maneira de escrever de Calvino, é evidente que ele considerava a busca zelosa da santidade como a vida cristã normal... Ao mesmo tempo, Calvino advertiu contra o estabelecermos um padrão elevado para os outros crentes. Ele escreveu: “Não devemos insistir na absoluta perfeição do evangelho em nossos irmãos, por mais que nós mesmos nos esforcemos por essa perfeição.” Usando uma expressão contemporânea, devemos ser severos em relação a nós mesmos e amáveis para com os outros. Infelizmente, o oposto é o que se evidencia com frequência. Esperamos muito dos outros, enquanto desculpamos a nós mesmos.” 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Li, gostei e recomendo #043 >>> A Mensagem de Romanos, de John Stott

A Mensagem de Romanos, de John Stott, ABU Editora, 2007.

E falando em livros como apoio para o entendimento das Escrituras, um que muito me ajudou em nossos estudos da Carta aos Romanos foi o livro de John Stott (A Mensagem de Romanos). O autor que viveu de 1921 a 2011 nos apresenta as valiosas doutrinas bíblicas, comunicadas pelo Espírito Santo através do sábio apóstolo Paulo, de maneira que cada detalhe da talvez mais importante carta paulina é abordado de forma clara e direta, considerando as variadas interpretações de teólogos do calibre de Agostinho de Hipona, Martinho Lutero, João Calvino, Charles Hodge, Karl Barth, D.M. Lloyd-Jones, John Murray, dentre outros. Por ser contemporâneo nosso, as palavras de Stott aproximam-se bastante das questões do homem da presente era pós-moderna. Certamente esse livro é um ótimo guia para uma leitura e estudo apurados de Romanos.

No final de seu livro Stott comenta os versos 25 a 27 do capítulo 16 de Romanos que diz: 
"Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações, ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!"

Segue as palavras finais de Stott sobre esse trecho bíblico:                         "... é justo dizer que os maiores temas da carta de Paulo estão concentrados nesta doxologia: o poder de Deus para salvar e para confirmar; o evangelho e o mistério, uma vez oculto e agora revelado e que consiste no Cristo crucificado e ressurreto; o testemunho da Escritura do Antigo Testamento, cujo enfoque é Jesus Cristo; a incumbência que Deus nos deu de tornar a boa nova conhecida em todo o mundo; a convocação para que todas as nações lhe respondam em obediência e fé; e a sabedoria salvadora de Deus, a quem toda glória é devida para todo o sempre."

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Li, gostei e recomendo #042 >>> Meditações no Evangelho de Lucas, de John Charles Ryle

Meditações no Evangelho de Lucas, de John Charles Ryle, Ed. Fiel, 2011


Falando em ler a Bíblia ao longo do próximo ano, sugiro um livro que serve de grande apoio no entendimento do Evangelho Segundo São Lucas.  Uma saudável companhia para tal leitura é J. C. Ryle, que viveu de 1916 a 1900, servindo ao Senhor como pastor por 40 anos, antes de ser indicado como bispo da cidade de Liverpool, na Inglaterra.

Segue um pequeno trecho de Ryle comentando Lucas 4:14-22, que serve de alerta para os chamados desigrejados:

"Somos informados que Jesus, "indo para Nazaré... entrou num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler" as Escrituras. Naquela época, os escribas e fariseus eram os principais mestres dos judeus. Dificilmente poderíamos supor que o ensino ministrado por estes homens, na sinagoga, desfrutava da bênção e da presença do Espírito de Deus. No entanto, aqui vemos nosso Senhor dirigindo-se à sinagoga, lendo as Escrituras e pregando ali. A sinagoga era o lugar onde o dia do Senhor e a Palavra de Deus eram publicamente reconhecidos; e, pensando assim, nosso Senhor achou conveniente honrá-la.



Sem dúvida, temos, uma lição prática nessa atitude de Jesus. Ele desejava que soubéssemos que não devemos menosprezar levianamente qualquer reunião de adoradores que professam reverenciar o nome, o dia e o Livro de Deus. Em uma igreja, há muitas coisas que precisam ser melhoradas. Talvez haja falta de clareza, abrangência e ortodoxia no ensino ministrado ou exista carência de unção e dedicação na maneira como o pastor realiza o culto. Entretanto, enquanto uma igreja não manifesta nenhum erro doutrinário e o crente não tem outra onde congregar-se, ele deve pensar com bastante seriedade antes de ausentar-se do culto. Se existem dois ou três que se reúnem em nome de Cristo, para estes o Senhor Jesus prometeu uma bênção especial. Mas não encontramos qualquer promessa para o crente que permanece em casa."

domingo, 28 de dezembro de 2014

Li, gostei e recomendo #041 >>> Como ler a Bíblia livro por livro.

Como ler a Bíblia livro por livro, de Gordon Fee e Douglas Stuart, Ed. Vida Nova, 2013.

Para quem planeja ler a Bíblia ao longo do próximo ano, sugiro um livro que se propõe a ser um guia de estudo panorâmico da Bíblia. Seus autores indicam elementos/linhas (as alianças e fidelidade de Deus, em contraponto a nossa infidelidade; a escolha que Deus faz dos mais fracos; a libertação do povo de Deus para fazer deles o seu tesouro pessoal; a presença de Deus com seu povo; a Lei; o sistema sacrificial e o perdão; a escolha de um rei para representar a Deus na terra) que revelam a unicidade dos Escrituras, que fazem com que a história toda se mantenha coesa como uma única história.


Recorto e colo aqui um trecho dos comentários dos autores Fee & Stuart sobre a passagem que está no Evangelho de Lucas, cap.4: v.14-44:

"Depois de um resumo introdutório (v.14-15), Lucas usa a visita de Jesus à sinagoga da sua cidade natal para apresentar todo o seu ministério(v.16-30): cumprindo profecias do Antigo Testamento, capacitado pelo Espírito; com boas novas aos pobres, incluindo a libertação de cativos, justificada por duas histórias do Antigo Testamento de inclusão dos gentios, resultando em oposição. Observe especialmente que a oposição é o resultado de Jesus ter lembrado alguns judeus da inclusão prévia de gentios por iniciativa de Deus (prenunciando, dessa maneira, a história de Atos).

A isso seguem duas narrativas curtas ilustrando o ministério poderoso de Jesus em prol dos pobres e cativos. Assim, ao expulsar demônios e curar os doentes (v.31-44), Jesus, o (humilde) Guerreiro Divino, enfrenta Satanás na guerra santa no próprio suposto campo de Satanás (v.4.6; cf.10.18)."


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Li, gostei e recomendo #040 >>> Aventuras com a Bíblia no Brasil - F.C. Glass

Aventuras com a Bíblia no Brasil, livro de F.C. Glass, Livraria Evangélica, ano ????.

Um antigo exemplar em português desse livro me foi emprestado gentilmente pela irmã e amiga Nelly Lane, cuja família nos remonta aos primeiros passos da Igreja Presbiteriana em nosso país no século XIX. Trata-se de um livro precioso, onde F. C. Glass conta muitas histórias dos colportores em seu desbravamento pelos mais diversos rincões de nossa pátria católica apostólica romana, quando a Bíblia era proibida aos fiéis, fato que fez com que esses distribuidores e vendedores de bíblias e novos testamentos corressem perigo de morte, sim muitos perigos por conta da perseguição e também das dificuldades de locomoção através de rios, estradas de terra e picadas em florestas. São fatos ocorridos desde o ano de 1892 até o ano de 1926 aproximadamente.

Para ilustrar o que li, seguem abaixo pequenos trechos desse interessante e edificante livro.

"No fim de março de 1902, deixei o Rio de Janeiro para fazer, com a Bíblia, uma viagem através do país, até Cuiabá... Passamos um domingo sossegado no nosso novo alojamento, mas os padres começaram a movimentar-se assemelhando-se a um ninho de vespas e, com grande atividade, procuraram desfazer o nosso trabalho. O Bispo publicou uma carta pastoral especial contra nós e nossos livros, mas parece sem que qualquer pessoa fosse por ela influenciada, embora essa carta pastoral naturalmente causasse um pequeno movimento de oposição durante os primeiros dias...

... Tivemos um ótimo dia de trabalho no centro da cidade, repleto de oportunidades para darmos testemunho da Palavra de Deus e fazermos uma exposição clara do Evangelho... dentro de poucos dias o nosso pequeno grupo viajava descendo o Rio Cuiabá...

... A cerca de 16 km de Goiás... Comecei a galgar a íngreme subida da célebre cadeia das Montanhas Douradas... Era um panorama maravilhoso! Embora eu não pudesse demorar-me para apreciá-lo melhor, pois nuvens negras, se acumulando, prometiam forte tempestade, e apenas pude ver uma décima parte dessas admiráveis obras de Deus...

... A necessidade é urgente e o fator tempo muito vital. Tanto a Grã-Bretanha como as Américas precisam que a Bíblia seja levada novamente para elas, de um modo vigoroso, eficaz, inteligente, atrativo e corajoso, e isto sem perda de tempo pois que "a noite se aproxima"...


... Estou bem certo de que quando a luz brilhar nestas trevas densas descobrir-se-á que Deus possue muitas pessoas entre estas tribos de índios - muitos frutos preciosos para Sua honra e glória. Quanto tempo mais terão eles de esperar? Onde estão os voluntários há tanto aguardados? " 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Li, gostei e recomendo #039 >>> Crônicas e Poesias do Meu Amor - Rev. Ludgero M. Moraes

Crônicas e Poesias ao Meu Amor - Rev. Ludgero M. Moraes, livro de Josenira Bonilha Moraes, Abba Press, 2012.

Li esse livro com muito gosto. A autora é uma amiga que conheci recentemente, mas alguém cuja família logo nos recebeu com um sincero amor cristão quando passamos a congregar em nossa nova igreja em Barão Geraldo, Campinas. Nesse livro, Josenira nos conta sobre a vida de seu marido, cujo ministério cristão, acompanhado linha a linha das crônicas e poesias, testifica como o serviço de um Filho de Deus atende a vontade do nosso Pai de que sejam feitos discípulos em todas as nações, segunda a Sua infinita graça. 

Assim, aqui e ali, deparamo-nos com narrativas como esta:

"... Durante um bom tempo, talvez uns seis meses, a luta foi grande, barreiras intransponíveis a começar dos irmãos ali existentes, que estavam desacostumados do convívio com a igreja.  O campo em torno da cidade era muito grande e para visitá-los o Ludgero necessitava percorrer de ônibus e num espaço de mais ou menos 15 dias. O campo era quase todo em zona rural, lugares perigosos, mas era nesses lugares que o pastor recebia estímulo e incentivo para não desanimar, porque na cidade a indiferença era desanimadora.

Cada vez que morria um crente, começava uma luta terrível. Os portões do cemitério eram fechados e a autoridade era o padre e só ele tinha poder para resolver. Os corpos dos crentes eram enterrados fora do local chamado "sagrado". Dentro do cemitério eram enterrados só os católicos batizados.

Ficamos em Ponte Nova durante 6 anos e quando de lá saímos o Ludgero deixou uma igreja construída, com casa e 58 membros na sede. Nesse lugar o Ludgero teve todos os tipos de provas, mas Deus lhe deu grandes vitórias."

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Li, gostei e recomendo #038 >>> Imago Dei: Antropologia Reformada


Paulo Anglada, pastor, professor e teólogo, publicou recentemente um livro que trata da doutrina bíblica concernente ao ser humano. Leitura indispensável para aqueles que buscam alicerces firmes do ensino cristão para conhecerem a si mesmo e às demais pessoas, de forma que possam ser bençãos como indicado "na ordem e promessa de Deus a Abraão, por ocasião de seu chamado e  omissão: Sê tu uma benção... em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:2-3)".

Bem, transcrevo aqui mais alguns trechos preciosos desse livro:


"Existem hoje menos conflitos sociais do que no passado? Há menos guerras, mais entendimento, mais compreensão? Será que a conduta e os relacionamentos humanos, de fato, evoluíram? Penso que uma breve leitura dos jornais responde essas perguntas. As pessoas não se entendem, as nações se destroem, as famílias se desfazem, as escolas são depredadas, os homens se matam, as instituições humanas em geral encontram-se desacreditadas. Na qualidade de um ser moral e espiritual, o homem, distante do seu Criador, é um fracasso...

... Segundo a revelação bíblica, a causa de tudo isso está na queda da raça humana em Adão, em razão da natureza humana depravada decorrente da desobediência dos primeiros pais. O mundo é o que é hoje porque o homem trocou a verdade de Deus em mentira; porque ele se rebelou contra o conhecimento de Deus... nações guerreiam, ... governantes se corrompem... filhos desobedecem aos pais e pais desprezam e abandonam seus filho... mulheres se prostituem e cônjuges adulteram...

... As pessoas não somente se comportam dessa maneira, mas também aprovam os que assim procedem, como lemos no capítulo primeiro da carta de Paulo aos Romanos...

... O crente tem a imagem de Deus funcional social restaurada estando no mundo, mas não sendo do mundo. No seu relacionamento social, o crente não deve se separar ou fugir do mundo, nem confundir-se ou moldar-se a ele. Ele deve ser o sal da terra, a luz do mundo e o fermento da sociedade, purificando, iluminando e influindo em todas as áreas da vida, sem se deixar contaminar...

... A Bíblia oferece diagnóstico preciso e respostas profundas para os problemas do homem, do mundo e do meio-ambiente. Ela vai à raiz dos problemas e proporciona respostas verdadeiras e definitivas. À parte da Bíblia, o diagnóstico humano é superficial e as soluções não passam de paliativos desequilibrados. A solução real e final é soteriológica e escatológica: a redenção do homem e os novos céus e nova terra." 

(Imago Dei: Antropologia Reformada, livro de Paulo Anglada, Knox Publicações, 2013)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Li, gostei e recomendo #037 >>> O Problema do Sofrimento, um livro de C. S. Lewis

C. S. Lewis apresenta de modo sábio a questão do sofrimento na vida humana, e mesmo na vida dos animais, por meio de uma cosmovisão cristã, abordando até mesmo o desafiador tema para as mentes modernas sobre o céu e o inferno, e algumas vezes até tropeçando na exposição de algumas doutrinas. No entanto, o livro é muito rico e é um daqueles escritos do brilhante pensador, do qual muitas citações são tiradas e popularizadas no meio cristão.

Segue alguns trechos dessa pérola:

"Todos já observaram como é difícil pensar em Deus quando tudo está indo bem. "Temos tudo o que queremos" é uma frase terrível quando o "tudo" não O inclui. Como diz Agostinho em algum lugar: "Deus quer nos dar algo, mas não pode, porque nossas mãos estão cheias - não há lugar algum onde Ele possa colocá-lo". Ou como disse um amigo meu: "Pensamos em Deus como um piloto pensa em seu paraquedas: ele está lá para emergências, mas o piloto espera que nunca tenha que usá-lo". Ora, Deus, que nos criou, sabe o que somos e que nossa felicidade repousa nele, contudo não a buscaremos nele enquanto Ele nos deixar qualquer outro recurso em que ela possa ser procurada de maneira plausível...

... O sofrimento, no entanto, insiste em que lhe dê atenção. Deus nos sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas brada em nosso sofrimento: o sofrimento é o megafone de Deus para despertar um mundo surdo...

... Os que com mais desdém repudiariam o Cristianismo por considerá-lo o simples "ópio do povo" têm certo desprezo pelos ricos, ou seja, por toda a humanidade à exceção dos pobres. Eles consideram os pobres as únicas pessoas dignas de serem preservadas da "liquidação"e neles depositam a única esperança da raça humana. Isso, porém, não é compatível com a crença de que os efeitos da pobreza nos que a sofrem são de todo maléficos e até mesmo implica que eles são bons. O marxista, assim, vê-se em concordância com o cristão naquelas duas crenças que o Cristianismo paradoxalmente exige: a de que a pobreza é abençoada e a de que, no entanto, deve ser eliminada...

... O Cristianismo é em si um dos fatos mais incômodos que tem de ser adequado em qualquer sistema que venhamos a criar. Em certo sentido, ele cria, em vez de desenvolver, o problema do sofrimento, pois este não seria um problema se, aliado à nossa experiência diária neste mundo de dor, não tivéssemos recebido o que julgamos ser uma boa certeza de que a realidade última é justa e amorosa."

O Problema do Sofrimento, livro de C. S. Lewis, Editora Vida, 2009.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Reflexões #002 >>> Uma leitura da "nova história do tempo"


Minha leitura do interessante livro "Uma nova história do tempo, de Stephen Hawking e Leonard Mlodinow"
por Ricardo de O. Figueiredo, Maio de 2013

Nesse livro os autores pensando sobre o universo levantam perguntas tais como: De onde veio o universo? Para onde está indo? Qual a natureza do tempo?  Com vários argumentos com base nos recentes avanços da Física até os nossos dias, os autores sugerem respostas a estas perguntas.

Stephen Hawking é um cientista muito conceituado, sendo doutor em cosmologia e um dos mais consagrados físicos teóricos do mundo. Junto, com o co-autor Leonard Mlodinow, também catedrático em Física, diz que "hoje, estamos mais perto que nunca de entender a natureza do universo".

Bem, diante disso nossa expectativa é a de sabermos quais as certezas e pistas que temos acerca dessas questões sobre a origem de todas as coisas que nos cercam, já que é um livro destinado a leigos em Física. Certo?

Mas ao longo da leitura nos deparamos com várias dúvidas. Vamos refletir sobre algumas então.

É interessante ver que os autores reconhecem que em algum dia as respostas que hoje temos poderão parecer tão óbvias para nós quanto a Terra orbitando o Sol, ou, quem sabe, tão ridículas quanto a teoria de uma torre infinita de tartarugas que sustentam uma Terra plana. Então, cabe a pergunta: Por que nos apoiarmos tanto nessas respostas, se estas podem não ter absolutamente nada a ver com a realidade? Por que ridicularizar aqueles que não conhecem ou discordam dessas teorias?

Hawking e Mlodinow, após discorrerem brevemente sobre o conhecimento dos gregos antigos em relação a representação do universo, e em seguida sobre os pensamentos de Copérnico, Kepler e Galileu, nos conduzem até os tempos de Newton quando este afirmava que suas leis eram aplicáveis a tudo no universo: de uma maçã em queda às estrelas e planetas.  Foi o princípio da física e da astronomia modernas, quando em sua teoria da gravidade em um simples modelo, Newton prevê os movimentos do Sol, da Lua e dos Planetas com um alto grau de precisão.

Os autores honestamente alertam: "Qualquer teoria física é sempre provisória, no sentido de ser apenas uma hipótese: nunca é possível prová-la". Você sabia disso? Quando você é questionado por materialistas que você não pode provar a existência de Deus, não lhe parece que por trás disso está a insinuação de que teorias científicas, ao contrário, apresentam provas incontestáveis de suas premissas?

Pois bem, como dizem os autores, "você pode desacreditar uma teoria encontrando uma única observação que seja discordante de suas previsões". Faça uma observação científica discordante de determinada teoria, e esta teoria deverá ser abandonada ou modificada. É por isso, que muitas teorias sofrem constantes modificações ao longo da história da ciência, principalmente se os cientistas que a proclamam não querem abandoná-las. Se a teoria não é boa, sofrerá inúmeras modificações com o tempo. Isso pode ser um termômetro para distinguir entre teorias boas e ruins. Fique atento!

Ponto central na discussão apresentada nesse livro é de que o objetivo final da ciência é oferecer uma teoria unificada que descreva o universo inteiro. Mas na verdade, esse problema em geral é dividido em duas partes: 1) Leis que informam como o universo se altera com o tempo; 2) O estado inicial do universo.

Os conceituados cientistas, no entanto, reconhecem que é muito difícil inventar uma teoria que descreva o universo de uma só vez.  Aqui se reconhece a imensidão do desafio de descrever-se um universo extremamente imenso e complexo, e a limitação do conhecimento humano. Não lhe parece que a impressão que fica nas notícias sobre a ampliação do conhecimento científico é a de que tem-se conhecimento firme e profundo de muitas coisas relacionadas ao início e funcionamento do universo? Como você pode ver, a coisa não é bem assim...

Para solução do problema de se ter um teoria única para o universo surge a estratégia de decompo-la em partes, e assim inventam-se teorias parciais.  É o que nos diz os autores. Assim sendo, somos informados de que hoje os cientistas descrevem o universo em termos de duas teorias básicas - a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica. Estarão essas teorias tão desenvolvidas quanto nos parece, dado as informações que acessamos nas nossas mídias do Século XXI?

Pois bem, saiba que os autores nos informam que essas duas teorias são incompatíveis! Por isso busca-se uma nova teoria que compatibilize as duas: a teoria quântica da gravidade. E ainda estamos engatinhando nessa teoria.

Diante da grave crise ambiental que hoje vivemos, assim como a possibilidade de imensos acidentes cósmicos a que estamos sujeitos, os autores não apontam qualquer esperança, mas apenas dizem: "É bem possível que nossas descobertas científicas destruam a todos nós, e mesmo que não o façam, uma teoria unificada completa poderá não fazer grande diferença para as nossas chances de sobrevivência". Pergunto eu: Será que é por isso que a humanidade busca salvação nas religiões? Pois a ciência parece não ter qualquer possibilidade de oferecer tal coisa.

Nesse ponto, os autores reconhecem o ponto nevrálgico de toda a questão abordada: "Ansiamos por uma compreensão da ordem subjacente no mundo. Almejamos saber porque estamos aqui e de onde viemos".  Então pergunto: Por que buscar tais respostas em fonte que não a possui, e não em fonte externa a esse mundo natural / físico? O que estaria errado nisso, já que a ciência conhece seus limites nessa questão?  Por que em nome da ciência a postura por uma resposta metafísica é tão depreciada? Seria uma intolerância materialista?

Penso, que a ciência tem promovido inúmeros benefícios reais para a humanidade. No entanto, as  benesses palpáveis não ficaram na teoria. Por exemplo, remédios e vacinas que hoje beneficiam a nossa saúde são amplamente recomendados apenas após o benefício de seu uso ter sido comprovado pela experiência prática curando ou aliviando doenças, e não apenas porque teoricamente deveriam faze-lo.  As teorias científicas por trás desses medicamentos estão assim comprovadas. Mas na área do conhecimento da origem e propósito da existência do universo e todas as coisas tal comprovação é apoiada apenas por uma "outra teoria" ou pressuposição. Hoje admite-se, em geral, apenas a pressuposição de que não existe Deus, e a partir dessa teoria constroem-se outras.

Outrora, como os próprios autores descrevem, o cientista admitia respostas em Deus.  Por exemplo: Newton se preocupou bastante com a falta de um "espaço absoluto",  porque isso não estava de acordo com sua idéia de um Deus absoluto. Hoje em dia, no entanto, considerar a possibilidade de Deus em nossas concepções sobre o universo são "malditas" em grande parte do mundo científico. Seria uma intolerância materialista?

A teoria da relatividade, concebida por Einstein, surge para sustentar a ideia de que o tempo e o espaço não são independentes e nem estão inteiramente separados, mas combinados, formando o objeto espaço-tempo. Isso me faz refletir sobre o quanto a realidade é bem mais complexa do que nossos sentidos naturais nos permitem experimentar. Existem mistérios no ar, na vida, na existência, no universo. Veja que a relatividade levou anos para se tornar universalmente aceita pelos físicos.

Nessa nova perspectiva de universo, e seus processos associados, encontram-se hoje os cientistas. Dessa maneira, dizem os autores, "a velha ideia de um universo essencialmente inalterado que poderia ter existido desde sempre, e que poderia continuar a existir para sempre, foi substituída pela noção de um universo dinâmico, em expansão,  que parecia ter começado há um tempo finito e que poderia terminar num tempo finito futuro".  Opa, a idéia de um princípio e fim do universo é agora balizada por conclusões da ciência!

Por vezes, os autores do livro falam de suas crenças. Sim, crenças. É o que vemos em trechos como: "NÃO TEMOS EVIDÊNCIA CIENTÍFICA alguma a favor ou contra essa segunda premissa. Séculos atrás, a Igreja teria considerado a premissa (de Friedmann) uma heresia, já que a doutrina da Igreja declarava que realmente ocupamos um lugar especial no centro do universo. Hoje, porém, ACREDITAMOS na premissa de Friedmann por uma razão quase oposta, uma espécie de modéstia: TEMOS A IMPRESSÃO DE QUE SERIA MUITO ESTRANHO se o universo parecesse o mesmo em todas as direções ao nosso redor, mas não ao redor de outros pontos do universo."

Gostaria de entender esta "espécie de modéstia" desses colegas cientistas. Estes entendem por modéstia, desprezar a possibilidade de um Deus criador ter-nos dado um lugar especial em todo o universo, e considerar-se como seres que atingiram um grau de evolução que hoje os capacita a entenderem plenamente a razão de tudo o que existe independente de qualquer ser superior.  A verdadeira humildade é assim acobertada, que lástima!  Não estou aqui dizendo que o nosso planeta seja o centro de todo o universo, mas apenas reconhecendo que se alguém pensa que Deus teve um propósito especial em nos criar e colocar em determinado ponto do universo, isso é uma posição de reconhecer a grandeza de alguém infinitamente maior, ou seja, um sentimento de humildade verdadeira.

Veja também que no trecho analisado, emoções são apontadas como fundamentos para embasamento de pressuposições, que "na teoria", deveriam ser isentas de sentimentos. Sim, os autores "tem a impressão de que seria muito estranho se...". Bem, o que parece é que quando não há evidência científica fica valendo a crença e a impressão. Ai, ai, ai... Aqui os grandes sábios tropeçam feio.

Mas existem grandes avanços tecnológicos, como citam os autores, que tem permitido que se observe e aprenda rapidamente novos e surpreendentes fatos sobre o universo. Estou plenamente de acordo!

Porém, quando passa-se do observável para o especulativo tenho sérias dificuldades para encontrar evidências e embasamento racional. Pois vejam que os autores se aventuram e afirmam categoricamente que: "O universo continuará a se expandir numa taxa sempre crescente. O tempo continuará para sempre pelo menos para aqueles prudentes o bastante para não cairem num buraco negro".  Na minha modéstia poderia dizer que isso me soa mais como profecia mística.  Mas posso estar errado, caro leitor.  Quem sabe esta não é também  uma teoria equivocada a ser contestada por um novo modelo científico do universo que será defendido por uma nova teoria alternativa? Portanto, sugeriria aos colegas cientistas que não fossem tão pretensiosos nesse tipo de afirmação.

O tema tratado é bem ousado. Outras perguntas são postas pelos autores: "E quanto aos tempos muito primitivos? Como o universo começou e o que o colocou em expansão?"

Dentre as teorias da cosmologia a mais popular e aceita hoje é o Big Bang. Aqui os autores baixam a bola sabiamente e dizem: "... se conhecêssemos apenas o que aconteceu desde o Big Bang, não poderíamos determinar o que aconteceu antes... questões como quem armou as condições para o Big Bang não são questões abordadas pela ciência". Que bom, assim os autores reconhecem que existe algo a ser compreendido e entendido que está além da ciência. Seria o conhecimento de Deus revelado de alguma maneira aos seres humanos? Fica a pergunta.

Pois é, os autores chegam a explicitar tal coisa quando dizem: "Seria muito difícil explicar porque o universo deveria ter começado exatamente dessa maneira (Big Bang), exceto como um ato de um Deus que pretendia criar seres como nós".  Mas porque será que tal conjectura desses renomados cientistas não alcançam a mesma divulgação que outras conjecturas e teorias proclamadas pelos mesmos?

No frigir dos ovos, Hawking e o co-autor, resumem que: "O século XX viu transformada a visão de mundo do homem: percebemos a insignificância do nosso próprio planeta na vastidão do universo e descobrimos que o tempo e o espaço são curvos e inseparáveis, que o universo estava se expandindo e que teve um começo no tempo".  Não é interessante que tal constatação imensidão do cosmos não tenha feito a humanidade aproximar-se ainda mais da visão de mundo judaico-cristã de que há um Deus todo poderoso, criador de céus e terra, que determinou um genêse de tudo que existe, e que diz que "tudo o que é, já foi, e tudo o que vem, também já foi"?

Mas como a relatividade geral é uma teoria incompleta e a mecânica quântica também é uma teoria parcial, os autores revelam que há uma ESPERANÇA na ciência de obter-se uma compreensão total do universo do início ao fim, que surge da combinação dessas duas teorias parciais em uma única teoria quântica da gravidade, uma teoria na qual as leis comuns da ciência são válidas em qualquer lugar, inclusive no início do tempo, sem a necessidade de singularidades, isto é, quando um ponto onde a teoria falha e torna-se necessário predizer-se condições diferentes para ele. 

Não sei se nossos físicos chegarão a esta teoria unificada de universo, e que esta corresponda a realidade das coisas e possa nunca ser refutada, mas pode-se pensar que essa ESPERANÇA tem um certo ar metafísico.  O mesmo ar "religioso" olhado com desdém por muitos cientistas.

No entanto, os autores insistem que utilizam a "navalha de Occam", extirpando das teorias todas as suas características que não possam ser observadas. Mas pelo que já comentado acima parece que nem sempre tal navalha é manuseada.

É interessante pontuarmos aqui o comentário dos autores sobre Einstein e a questão da casualidade. A mecânica quântica, desenvolvida por ele, introduz a aleatoriedade nos modelos científicos, no entanto, Einstein discordava disso veementemente. Sua frase "Deus não joga dados" foi dita neste contexto. Ele nunca aceitou que o universo fosse governado pela casualidade. Então, pergunto de novo: Encontramos o eco dessas palavras quando toma-se a mecânica quântica para explicar o universo?

Lendo esse livro acabo por concluir que o grande desejo do cientista ateu é a vitória de uma teoria que descreva o universo como "inteiramente autocontido e não afetado por nada fora dele, que assim não seria criado nem destruído, mas apenas SERIA". Como dizem os autores, isso dispensaria a necessidade de um criador.

Em dado momento, os autores elucubram o poder "determinístico" de uma teoria unificada e completa. Eles dizem: "se realmente existir uma teoria completa da física que governa tudo, ela também presumivelmente governará as suas ações".  O que é isso? Escaparíamos do pensamento de que há um Deus que a tudo governa mas nos convida a escolher o bem, para sermos dominados por leis deterministas e frias? Que cilada para os que rejeitam preceitos  religiosos!

Fato é que os brilhantes autores desse livro, por fim, revelam coisas muito interessantes, a saber: "É extraordinário como o tamanho das cargas de elétrons e a razão entre as massas de próton e do elétron, por exemplo, parecem ter passado por um ajuste muito fino para possibilitar o desenvolvimento da vida. Se assim não fosse, ocorreria desequilíbrio da força eletromagnética e gravitacional nas estrelas, inviabilizando a vida".

Finalmente, os autores postulam três possibilidades para uma resposta acerca da representação do universo: "1) Existe uma teoria unificada completa, que um dia descobriremos; 2) Não existe uma teoria definitiva, mas uma sequência infinita de teorias, com precisão cada vez maior, mas nunca exatas; 3) Não existe uma teoria, tudo ocorre de forma aleatória e arbitrária".

Interessante é que a terceira possibilidade é descartada simplesmente porque haveria a necessidade de existir um Deus. Veja que não penso que "tudo ocorra de forma aleatória e arbitrária". Mas não podemos descartar a existência de Deus nem mesmo para as outras duas possibilidades, mas nelas Deus não seria essencial, por isso são mantidas como possíveis. Aqui constata-se que a pressuposição da existência de um Deus é necessariamente descartada nos tempos modernos, como dizem os autores. Pergunto: Por que uma pressuposição oposta (Não há Deus) não poderia ser descartada? Qual a razão disto? Existe honestidade de princípios nesta escolha? Eliminaria a possibilidade de chegar-se a um modelo de universo?

Penso que falta ressaltar na comunicação científica o que os autores em dado momento comentam: "Nunca poderíamos ter certeza absoluta de que descobrimos de fato a teoria correta, já que as teorias não podem ser demonstradas". O máximo que se pode almejar é que "uma confiança razoável" de que dada teoria é correta. Pergunto: E se tal confiança razoável apontasse para a necessidade de um Deus, caso a hipótese de sua existência fosse igualmente testada por método científico?

Veja que "ninguém pode resolver com exatidão as equações quânticas para um átomo que é formado por um núcleo e mais de um único elétron. Não somos sequer capazes de resolver com exatidão o movimento de três corpos numa teoria simples como a da gravitação de Newton", conforme nos diz Hawking.  Embora tal fato seja reconhecido pelos autores, as pretensões são bem elevadas. Os cientistas possuem uma meta que se resume na "compreensão total dos eventos que nos cercam e da nossa própria existência". E por fim, dizem que "se encontrarmos uma resposta... seria o triunfo último da razão humana - porque, então, conheceríamos a mente de Deus".

Aqui fica evidente a ignorância espiritual de grandes sábios e detentores do conhecimento científico. Se conhecermos a mente de um Deus, que seja realmente DEUS na essência máxima dessa palavra, é porque nos tornamos também deuses. Ou será que a formiguinha poderia entender nossos pensamentos, sentimentos e escolhas, sem se tornar um humano?

Trabalho em pesquisa científica no setor agrícola, que lida com o funcionamento dos ecossistemas em relação ao ciclo da água e dos nutrientes, visando entender e evitar as alterações antrópicas sobre esses processos naturais, portanto, dou grande valor ao conhecimento científico. Mas daí a meter o bedelho em questões que estão além do plano natural, acredito que há uma barreira intransponível. É o que penso!

Adicionalmente, para elevar intelectualmente a discussão pretendida, gostaria de repetir aqui algumas palavras de C.S.Lewis (1898-1963), conceituado escritor e intelectual irlandês, professor de renome da Universidade de Oxford e da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, que ainda em 1940 em seu livro "O problema do sofrimento", muito antenado com o progresso da ciência, comentou:  "... A ciência moderna está nos ensinando lentamente a suportar neste Universo voluntarioso sua natureza aparentemente arbitrária e idiossincrática onde a energia é constituída de partículas em quantidade que ninguém poderia prever, a velocidade não é ilimitada, a entropia irreversível confere ao tempo uma direção real e o cosmos, não mais estável mas cíclico, se desenrola como uma peça de teatro, tendo começo e fins reais. Se qualquer mensagem advinda do cerne da realidade um dia chegasse a nós, deveríamos esperar encontrar nela apenas aquela natureza inesperada, aquela sinuosidade obstinada e dramática que encontramos na fé cristã. Ela tem o toque de mestre - a experiência forte e viril da realidade que não foi criada por nós nem, de fato, para nós, mas que nos golpeia no rosto".

sábado, 17 de novembro de 2012

Lí, gostei e recomendo #036 >>> Pedagogia Cristã na Obra de C. S. Lewis


Pedagogia Cristã na Obra de C. S. Lewis
De Gabriele Greggersen – Editora Vida – 2006 


Esse é um livro especial para educadores cristãos. A Dra. Greggersen discute a utilidade da produção literária de C. S. Lewis para a educação infantil através especialmente de fábulas. A autora demonstra, por exemplo, que o conto “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, como um instrumento para uma educação cristã, oferece condições para trabalharmos com as qualidades essenciais de um ser humano e para desenvolvermos no aluno essas qualidades estimuladas por um livro.

sábado, 13 de outubro de 2012

Lí, gostei e recomendo #035 >>> Uma Chamado à Reforma Espiritual


Um Chamado à Reforma Espiritual

D.A. Carson – Editora Cultura Cristã – 2007

Nesse livro D.A. Carson apresenta os ensinos presentes nas epístolas do apóstolo Paulo sobre oração. Em termos de aspectos práticos ou conceituais, muito se pode apreender da leitura desse livro, tais como considerações sobre a questão da sabedoria divina: “Conhecimento da vontade de Deus é mais do que conhecimento de um certo grupo de doutrinas (apesar de não poder facilmente ser menos). O conhecimento da vontade de Deus consiste de sabedoria (muito frequentemente relacionada, nas Escrituras, a saber como viver) e entendimento de todos os tipos, num nível espiritual.”

Mas o que gostaria mesmo de reproduzir aqui é a oração com a qual D.A. Carson fecha o seu livro, a qual tem muito ensino para todos nós.  Segue a oração:

“ E agora, Senhor Deus, eu peço a sua bênção sobre todos aqueles que leram esse livro, pois sem a mesma não haverá benefício verdadeiro. Podemos ter educação, mas não compaixão; podemos ter formas de orar, mas sem adoração e intercessão frutíferas; podemos ter oratória e sermos carentes de unção; podemos emocionar o seu povo, mas não transformá-lo; podemos expandir a mente deles, mas demonstrar sabedoria e entendimento muito limitados; podemos entreter a muitos, mas encontrar poucos que sejam solidamente regenerados pelo seu bendito Santo Espírito.

 Assim, pedimos que o Senhor nos abençoe, pelo poder do Espírito, para que possamos conhecê-lo melhor e crescer na nossa compreensão do seu incalculável amor por nós. Abençoe-nos, Senhor Deus, não com vitórias fáceis ou infindas, mas com fidelidade. Abençoe-nos com a quantidade certa de lágrimas, e com uma mente e um coração famintos, tanto de conhecer como de praticar a sua Palavra. Abençoe-nos com uma profunda sede de justiça, zelo pela verdade e amor pelas pessoas. Abençoe-nos com a perspectiva que pondera todas as coisas sob o ponto de vista da eternidade. Abençoe-nos com um amor transparente pela santidade. Conceda-nos força na fraqueza, alegria no sofrimento, calma nos conflitos, paciência quando enfrentarmos objeção ou quando formos atacados, lealdade sob tentação, amor quando somos odiados, firmeza e cautela quando o ambiente preferir as coisas passageiras.

 Rogamos ao Senhor, santo e misericordioso Deus, que possamos ser usados pelo Senhor para a ampliação do seu reino, para que levemos muitos a conhecê-lo e a amá-lo verdadeiramente.

 Conceda-nos, acima de tudo, que a nossa vida possa, cada dia mais, trazer glória ao seu querido Filho, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 Que o Deus de paz que, por meio do sangue da eterna aliança, ressuscitou nosso Senhor Jesus denre os mortos, o grande Pastor das ovelhas, nos equipe com todas as coisas boas para fazer a sua vontade, e que ele possa trabalhar em nós o que é agradável a ele, mediante Jesus Cristo, a quem seja a glória para sempre e sempre. Amém.” 

sábado, 7 de julho de 2012

Lí, gostei e recomendo #034 >>> Ministério de Misericórdia


Timothy Keller, na segunda edição de seu livro “Ministries of Mercy: The Call of the Jericho Road” (P&R Publishing, 1997), nos apresenta um valioso ensino sobre o ministério da misericórdia a partir da Parábola do Bom Samaritano. Segue um pequeno trecho de algumas passagens compiladas:

Os cristão são cobrados para lembrarem-se dos pobres (Gálatas 2:10), das viúvas e dos órfãos (Tiago 1:27), praticarem hospitalidade aos estrangeiros (Hebreus 13:2), e denunciar o materialismo (I Timóteo 6:17-19). Embora devam priorizar ajuda aos necessitados da sua igreja, os crentes devem praticar obras de misericórdia também a todas as demais pessoas (Gálatas 6:10)... Isso não é apenas uma responsabilidade dos cristãos como um todo, mas foi também estabelecida uma classe eclesiástica oficial – os diáconos – para o ministério de misericórdia da igreja. Isso demonstra que a misericórdia é mandato da igreja, assim como o são os ministérios da Palavra e da disciplina (Romanos 15:23-29)... Muito embora o ministério de misericórdia objetive necessidades físicas, ele é um ministério espiritual para as necessidades físicas! Ele tem uma motivação espiritual nos doadores e um impacto espiritual nos receptores... O Cristão deve sair ao mundo com o evangelho da Palavra e das obras. Nossa missão nada mais é do que buscar e atender as necessidades humanas básicas (nos planos teológico, psicológico, sociológico e físico)... sob o governo de Jesus Cristo.

sábado, 12 de maio de 2012

Lí, gostei e recomendo #033 >>> Arqueologia nas Terras Biblicas


John D. Currid escreveu um interessante livro, cujo título em português é “Arqueologia nas Terras Bíblicas”, publicado pela Editora Cultura Cristã. Segue um trecho do livro.

A arqueologia ... é uma serva da história, ajudando seu estudo pela revelação de informações necessárias. De fato, ela proporciona dados que registros escritos normalmente não o fazem... (ela) descreve e explica como viviam os diversos tipos de pessoas, do trabalhador rural na agricultura ao rei em seu trono... ela alarga o nosso entendimento a respeito da antiguidade...

Nas investigações arqueológicas da Palestina predominam os objetos remanescentes da presença de hebreus naquele local durante a Idade do Ferro (c. 1200-586 a.C.). Incluem-se entre eles alguns materiais do período dos juízes, da monarquia unida e dos dois reinos de Israel e Judá. A Idade do Ferro teve seu fim com a destruição do reino do sul e sua capital, Jerusalém, em 586 a.C.

Os três próximos períodos (Persa, Helênico e Romano) dizem respeito à Palestina sob o dominio de poderes estrangeiros. Assim sendo, os resíduos arqueológicos destes períodos refletem grande influência estrangeira. Inclusos nesta era estão os períodos intertestamentário e do Novo Testamento, com os quais a Bíblia e, consequentemente, a arqueologia bíblica alcançam seu terminus ad quem.

Betsaida é frequentemente mencionada nos relatos dos evangelhos... era uma cidade portuária na costa norte do mar da Galiléia... foi a cidade natal de pelo menos três discípulos... todos aparentemente pescadores... Duas conclusões importantes foram tiradas da primeira seção de escavação (de et-Tell, provável sítio de Betsaida). Primeiramente, a base estatigráfica do sítio foi estabelecida: o povoamento original foi fundado no Bronze Antigo seguido por uma ocupação na Idade do Ferro e uma cidade mais importante no período Helênico/Romano. Em segundo lugar, alguns achados... confirmaram a identificação do sítio como Betsaida: em particular, instrumentos de pesca (e.g. anzóis, chumabadas) indicavam que o principal negócio da vila era a pesca...  Betsaida está voltando à vida através da arqueologia.

domingo, 8 de abril de 2012

Lí, gostei e recomendo #032 >>> O Legado da Alegria Soberana

 Segue abaixo trechos extraídos do livro de John Piper intitulado “O Legado da Soberana Alegria:  A graça triunfante de Deus na vida de Agostinho, Lutero e Calvino”, publicado por Shedd Publicações, 2005. 
“...Os tempos eram severos imorais e bárbaros e possuíam um efeito contagioso sobre todos, assim como somos todos contaminados pelos males de nosso tempo. Seus pontos cegos e seus males podem ser diferentes dos nossos. E pode ser que as coisas que eles viam claramente sejam exatamente aquelas para as quais somos cegos. Seria ingenuidade dizer que nunca faríamos o que eles fizeram sob aquelas circunstâncias e, portanto, concluir que eles nada têm a nos ensinar. Na verdade, nós somos, sem dúvida, cegos para muitos dos nossos males, assim como eles foram para muitos dos seus. As virtudes manifestadas por eles naqueles tempos são, provavelmente, aquelas que necessitamos em nossos dias. Havia na vida e no ministério de João Calvino uma grande constância, teocêntrica, férrea e fiel à Bíblia. Sob o estandarte da misericórdia de Deus para pecadores miseráveis, faríamos bem em escutar e aprender. E isso também conta para Martinho Lutero e Agostinho.






... Há lições vivificantes escritas pela mão da Divina Providência em cada página da história. O grande alemão e o grande francês beberam do grande africano e Deus deu a vida da Reforma... Sejamos advertidos... pela boca de Lutero, que a única fonte original e verdadeira e revigorante é a Palavra de Deus. Cuidado para não substituir a fonte pura das montanhas da Escritura pelo rio sujo dos grandes santos. Eles são preciosos, mas não são puros.
... Os cisnes não estão silenciosos... Podemos nos sentir como grilos chilreando na presença de Agostinho, ou como ecos minúsculos de Lutero e Calvino. Mas nossa percepção de inadequação só aumenta a graça de poder ouvir suas vozes e ver suas vidas tanto tempo depois que viveram. Não eram perfeitos, o que os torna ainda de maior ajuda em nossa batalha para sermos úteis a despeito de nossa fragilidade.”  

domingo, 18 de março de 2012

Lí, gostei e recomendo #031 >>> DEUSES FALSOS

Lí um livro muito bom nesses dias. Trata-se de "Counterfeit Gods:  The empty promises of money, sex, and power, and the only hope that matters, Timothy  Keller, Dutton, 2009".  O livro já foi publicado em português pela Ediouro com o título de “Deuses Falsos”. Segue um trecho com tradução livre:

“ O código moral mais famoso do mundo é o Decálogo, os Dez Mandamentos. O primeiro mandamento é “Eu sou o Senhor, teu Deus, ... não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3). Isso nos leva a uma pergunta natural:  O que quer dizer outros deuses? Uma resposta segue imediatamente. “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto...” (Êxodo 20:4-5). Isso inclui todas as coisas do mundo! A maioria das pessoas sabe que você pode fazer do dinheiro um deus.  A maioria sabe que você pode fazer do sexo um deus. Entretanto, qualquer coisa na vida pode se tornar um ídolo, um deus alternativo, um falso deus.

... Todas as coisas sobre as quais aquelas pessoas construiram toda a sua felicidade tornaram-se pó em suas mãos porque elas construiram toda a sua felicidade sobre elas... Nós pensamos que ídolos são apenas coisas ruins, mas isso não é sempre o caso. Quanto mais grandiosa é a “coisa boa”, mais esperamos que ela satisfaça nossos desejos e anseios mais profundos. Qualquer coisa pode se tornar um falso deus, em especial as coisas boas da vida. ”

domingo, 8 de janeiro de 2012

Lí, gostei e recomendo #030 >>> Os Últimos Dias Segundo Jesus


Para o cristão é importante cercar-se de bons intérpretes das Escrituras. Nesse ano de 2012, quando muita falácia sobre o fim do mundo é propagada, torna-se ainda mais necessário avaliar nossa doutrina e esperança quanto a temas escatológicos.  O livro de R.C.Sproul, Os Últimos Dias Segundo Jesus,  publicado pela Editora Cultura Cristã,  ajuda muito nesse sentido. Segue um trecho do livro:

“O modo de discutir o conteúdo do Sermão do Monte das Oliveiras depende principalmente da hermenêutica (os princípios de interpretação) empregada. A hemenêutica ortodoxa protestante segue o ponto de vista de Martinho Lutero do sensus literaris. Atualmente, existe muita confusão em relação ao “sentido literal” das Escrituras. Lutero queria dizer que deveríamos interpretar a Bíblia de acordo com a forma em que foi escrita, ou em seu “sentido literário”. Foi uma tentativa de evitar arroubos imaginários no subjetivismo que moldam as Escrituras, a deformam e modelam segundo o capricho e a inclinação do intérprete. Para se resguardar do subjetivismo, Lutero procurou uma regra que pudesse guiar o intérprete em direção a um objetivo ao interpretar o texto.

Interpretar a Biblia “literalmente” no sentido clássico exige que aprendamos a reconhecer nas Escituras diferentes gêneros literários. Poesia deve-se interpretar como poesia, e passagens de cunho didático devem ser interpretadas de acordo com regras didáticas. A narrativa histórica não deve ser tratada como uma parábola, nem a parábola como uma rígida narrativa hstórica. Muitas profecias bíblicas são moldadas dentro do gênero profético que utiliza uma linguagem de figuras vívidas e imaginativas e geralmente mistura elementos da narrativa histórica comum com a linguagem figurada da poesia.

Parte da confusão em torno da interpretação bíblica deriva da utilização contemporânea  do termo “literal”. Atualmente, “literal” geralmente se refere não ao sentido técnico que foi utilizado por Lutero, mas à interpretação de imagens poéticas e similares como uma didática direta ou linguagem indicativa.  Nesse sentido, entender todo texto “literalmente” não é interpretá-lo de acordo com o gênero em que foi escrito, mas interpretá-lo no sentido indicativo puro e simples...”  

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Lí, gostei e recomendo #029 >>> Morte na Cidade

Morte na cidade"... Muitas vezes são as bençãos periféricas do evangelho que, quando se libertam da base cristã, transformam-se nos itens de julgamento na próxima geração. Considere a liberdade, por exemplo. Foi o resultado da Reforma no mundo norte-europeu que nos proporcionou um equilíbrio de forma e liberdade na área do estado e sociedade, liberdade para as mulheres, liberdade para as crianças, liberdade na área do Estado sob a lei. E, não obstante, uma vez estando longe da base cristã, é esta mesma liberdade sem forma, que traz julgamento sobre nós nas rodas giratórias da História."



(Francis Schaeffer *1912-1984*, em Morte na Cidade, Ed. Cultura Cristã)